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Os medicamentos e insumos desempenham papel fundamental nos serviços de saúde, portanto, estar atento às boas práticas de compra e armazenamento é indispensável para garantir a qualidade e segurança para o paciente. Isto inclui conhecer as normas que regem a aquisição e preservação desses itens, além de outras atividades.

Quer saber mais sobre o assunto? Continue lendo este artigo! 

O que são boas práticas de compra e armazenamento?

O termo boas práticas tem origem no inglês, best practices, e representa um conjunto de técnicas e condutas identificadas como as melhores para a execução de determinada tarefa. 

Quando se discute as boas práticas de compra e armazenamento de insumos na área da saúde são levados em consideração aspectos e procedimentos que garantam a integridade dos produtos, como a sua conservação adequada, data de validade, segurança contra danos físicos e desvios e o controle do inventário.

De acordo com Vanusa Barbosa Pinto, especialista em farmácia hospitalar e clínica, “essas atividades visam assegurar a qualidade dos medicamentos por meio de condições adequadas de armazenamento e de um controle de estoque eficaz, bem como a garantir a disponibilidade dos medicamentos em todos os locais de atendimento”.

Para minimizar os riscos e maximizar os benefícios, é essencial contar com profissionais que entendam o ciclo do medicamento dentro do serviço de saúde, que começa com a seleção dos insumos e passa pela negociação com fornecedores, estocagem, controle de estoque, fracionamento e, finalmente, uso no atendimento do paciente.

A atenção às boas práticas também engloba o conjunto de normas que conduzem a compra e armazenamento na saúde

No Brasil, a regulação e cumprimento dessas normas é estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A seguir, abordaremos as principais boas práticas de compra e armazenamento de insumos médicos que você deve ficar de olho. Confira!

Orientações gerais para a compra e armazenamento na saúde

1. A primeira orientação é contar com fornecedores confiáveis e qualificados. Aliás, essa é uma das habilidades indispensáveis que todo comprador da saúde deve desenvolver, como já destacamos neste artigo. Como você pode imaginar, o cuidado com as normas e boas práticas estabelecidas pelos órgão fiscalizadores é imperativo para todo negócio que lida com a vida das pessoas. Portanto, o parceiro comercial ideal deve estar em dia com as licenças e documentos que autorizam a comercialização de insumos médicos, além de possuir um manual de boas práticas de armazenamento e transporte homologado pela Anvisa.

Além disso, quando você se cerca de bons fornecedores, você terá a tranquilidade de receber as entregas nos prazos combinados e os produtos corretos, minimizando a ocorrência de imprevistos e o estresse no dia a dia da sua gestão.

2. Após a etapa de compras, a próxima orientação está relacionada ao recebimento dos insumos. De acordo com o manual de Boas Práticas do Ministério da Saúde, nenhum medicamento deve ser armazenado sem antes passar pelo recebimento oficial. 

Este processo inclui a conferência do lote, data de validade, exame das embalagens e das condições de armazenamento, temperatura e transporte/manipulação pelo fornecedor, apresentação do medicamento, levando em conta a cor e preservação, e checagem se os insumos recebidos conferem com o documento de compra. 

3. Na etapa de armazenamento, deve-se levar em consideração cuidados com o layout do espaço. Para tanto, a recomendação é que os medicamentos sejam ordenados de forma que facilite a visualização para a perfeita identificação do nome, número de lote e prazo de validade dos insumos. Além disso, é importante que o uso dos medicamentos obedeça a ordem cronológica de seus lotes de fabricação, ou seja, produtos com lotes e datas mais antigas devem ser colocados na parte da frente das prateleiras para serem utilizados primeiro. 

4. O Layout do espaço também deve levar em conta fatores como higienização e a incidência de luz e umidade. A RDC (430) de 10/2020 da Anvisa é enfática ao recomendar que todas as áreas circundantes ao estoque, bem como seu interior, devem ser mantidas limpas, isentas de pó e contaminações. E, para facilitar a limpeza e a preservação dos produtos, os medicamentos devem ser estocados à distância mínima de um metro das paredes.

Já a iluminação, a umidade e a ventilação precisam ser controladas para evitar efeitos prejudiciais sobre os produtos estocados. Ou seja, nada de medicamento exposto à luz direta do sol! 

5. Atenção com a temperatura. Certos insumos requerem cuidados especiais de armazenamento, pois apresentam sensibilidade térmica e sofrem alterações em sua composição. São os chamados insumos termolábeis. É o caso das vacinas e das insulinas, tipos de medicamentos que precisam ser mantidos sob rígido controle em uma temperatura em torno de 2º a 8ºC, por exemplo. 

Para garantir as condições térmicas adequadas, é necessário medir a temperatura constantemente. Também é indispensável contar com sistemas e sensores que alertam defeito nos equipamentos para a imediata reparação.

6. Medicamentos controlados e de alta vigilância também são insumos que requerem atenção especial. Os medicamentos controlados são aqueles com ação no sistema nervoso central, capazes de provocar dependência química ou física; já os insumos de alta vigilância integram os fármacos com maior risco de causar danos à vida do paciente se a dose for administrada de forma equivocada – saiba mais neste artigo.  Portanto, tais produtos devem ser estocados em uma área isolada das demais, em ambiente trancado, acessada apenas por pessoal autorizado e os registros das entradas e saídas desses medicamentos devem ser feitos de forma criteriosa. 

Uma questão ética

A adoção de boas práticas na compra e armazenamento de insumos da saúde é, antes de mais nada, uma questão ética, uma vez que lida e impacta diretamente a vida dos pacientes. 

Desde a escolha de fornecedores confiáveis, como citamos acima, até o monitoramento dos medicamentos, toda ação nessa área deve ser cuidadosa e monitorada por profissionais capacitados. E para ajudar no controle das entradas e saídas dos medicamentos e evitar que eles sejam usados com prazos fora da validade no procedimento, sempre vale contar com o auxílio da tecnologia.

Ferramentas digitais que apresentam soluções disruptivas, como automação e análise de dados, são muito úteis no processo de gestão de estoque, uma vez que ajudam na rastreabilidade e integração das informações e a evitar desperdícios e compras em duplicidade. 

Em um ambiente com tanta responsabilidade, por que não contar com ferramentas que podem nos ajudar a realizar nossas atividades com mais eficiência e segurança? Pense nisso, e se quiser se aprofundar mais no assunto leia o nosso artigo que explica como a gestão de dados impacta no sucesso do seu negócio. Não perca!

João Berardo é farmacêutico com 15 anos de experiência no setor de suprimentos para a saúde.

CRF/SP. 47762