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“A diferença entre o remédio e o veneno está na dose”, a célebre frase dita pelo médico suíço Paracelso, no século XVI, ilustra as consequências que a administração incorreta de medicamentos pode acarretar à saúde de um paciente, especialmente os considerados insumos de alta vigilância.  

Falhas no controle de insumos de alto risco não se restringem a uma só área. Em setores como construção civil e a indústria metalúrgica, o manuseio inadequado de combustíveis, explosivos e substâncias radioativas pode resultar em danos econômicos e sociais devastadores. 

Na área da saúde, os erros de medicação são ocorrências comuns, em geral causadas por ausência de informação sobre os pacientes, falta de informações sobre os insumos, falhas de comunicação com outros profissionais, lapsos de memória, problemas de armazenagem ou dispensação e outros.

Um estudo realizado em hospitais das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste e divulgado no 8º Boletim de Farmacovigilância Sobre Erros de Medicação publicado pela Anvisa, corrobora este diagnóstico: de acordo com ele 30% das doses de medicamentos administrados continham algum erro.

Medicamentos e os riscos associados

Encontrado em comprimidos, cápsulas e em soluções hospitalares, o Cloreto de Potássio é utilizado em diagnósticos de hipocalemia (perda excessiva da substância por vômito, diarreia ou urina) e é normalmente inofensivo, mas quando empregado em doses maiores que o recomendado o potássio pode causar uma parada cardíaca instantânea.

Da mesma forma, o excesso de Sulfato de Magnésio no organismo pode provocar dificuldade respiratória e bloqueio cardíaco, como destaca o protocolo de segurança divulgado pela Associação Paulista para o Desenvolvimento de Medicina – Hospital Universitário da Unifesp. 

O protocolo definiu uma lista com alguns medicamentos considerados de alta vigilância e suas consequências e que, portanto, merecem atenção redobrada das equipes de estoque e abastecimento dos serviços de saúde. Confira:

MedicamentoApresentaçãoRiscos
Insulina (NPH e R)Frasco Ampola 10mLHipoglicemia
HeparinaFrasco Ampola 10mLSangramento
Cloreto de Potássio 19,1%Ampola 10mLParada Cardiorespiratória
Sulfato de Magnésio 50%Ampola 10mLDepressão respiratória e bloqueio cardíaco
NitroprussiatoFrasco AmpolaHipotensão grave
VarfarinaComprimido – 5mgSangramento
Epinefrina (Adrenalina)Ampola 1mg/mL – 1mLArritmias

Ok, diante disso: o que fazer para garantir a segurança no uso de insumos de alta vigilância? A solução está em adotar um conjunto de boas práticas que visam garantir o bem estar do paciente, é sobre isso que falaremos a seguir.

Boas práticas no controle do estoque

Nas instituições de pequeno ou médio porte, é comum os profissionais responsáveis pelo abastecimento/estoque acumularem diversas atividades (como a de administrador, comprador e estoquista), fazendo com que algumas etapas do processo de gestão dos insumos sejam negligenciadas. 

Para contornar esse obstáculo, evitar transtornos e facilitar o trabalho da equipe, o controle de estoque em uma instituição de saúde deve ser feito seguindo algumas regras básicas, levando em conta: 

  • Controle de lote;
  • Validade;
  • Características físicas dos produtos;
  • Controle de entradas e saídas; 
  • E o valor do insumo.

Dessa forma, na rotina do time de compras da saúde, as boas práticas de gestão de estoque são desenvolvidas e implantadas com o objetivo de reduzir custos, evitar desperdícios e mitigar os erros. 

Nesse sentido, a adoção de boas práticas aumenta a segurança no uso de insumos restritos, como os antibióticos, e fortalece o controle de medicamentos de alto risco, ou medicamentos de alta vigilância, que são justamente os insumos que, quando incorretamente administrados, apresentam um alto risco de causar danos ou levar o paciente a óbito. 

Prevenção: o melhor remédio

Investir na prevenção, bem como seguir as melhores práticas de gestão, ainda é a forma mais eficaz para evitar a ocorrência de falhas que podem acarretar em lesões ou até mesmo na morte do paciente. 

Vale ressaltar que as boas práticas adotadas devem seguir metodologias já reconhecidas e validadas pelo mercado, como as dos selos de certificação de qualidade dos serviços de saúde. Estes, além de passar credibilidade aos pacientes, garantem a melhoria contínua de seus processos, como o controle de estoque. 

Todos os requisitos analisados em um processo de acreditação visam a segurança do paciente, incluindo a manipulação correta dos medicamentos de alto risco; para isso algumas barreiras de segurança devem ser implantadas na utilização/dispensação em medicamentos de alto risco, como:

1)  Alerta no sistema sobre a movimentação desses medicamentos (entradas e saídas em estoque);

2)     Etiquetas vermelhas de identificação;

3)     Locais específicos para o armazenamento (incluindo a restrição do acesso em armários com tranca);

4)     Checagem dupla na transferência/saída;

5)     Identificação em prescrição médica e/ou receituário;

6)     Melhorias no acesso às informações sobre os fármacos de alta vigilância;

7)     Protocolos claros sobre o uso correto do produto, bem como suas consequências em caso de má administração;

8) Checagem automatizada por meio de ferramentas inteligentes e digitais.

Nesse sentido, mais do que focar no desenvolvimento de funcionalidades, aqui na Zaga nós pensamos em nossa responsabilidade como empresa perante o mercado de saúde. 

Em um processo de melhoria contínua e controle de qualidade dentro da plataforma, além da opção de controle dos produtos por lote e validade, os usuários do Hub agora têm a opção de selecionar a opção “Alto risco” no momento de cadastro dos produtos. O recurso cria alertas dentro do sistema e ajuda a garantir a correta movimentação dos itens, mitigar erros e trazer mais segurança para os profissionais e pacientes. 

João Berardo é farmacêutico com 15 anos de experiência no setor de suprimentos para a saúde.

CRF/SP. 47762